Março 2007


 Prato Prato 2

Outrora chamada de Aldeia do Mato, em 1948 o nome foi alterado e passou a chamar-se S. Pedro do Corval, pois o nome que tinha “não convinha a uma população asseada e de ruas calcetadas”.
Seguramente o maior centro oleiro de Portugal, situado em pleno coração Alentejano, numa das regiões mais encantadoras do Pais, com um vasto património cultural e etnográfico, do qual quero salientar apenas uma pequena parcela.

As Alcunhas constituem uma verdadeira instituição social. A primeira função das alcunhas é a identificação, uma identificação rápida e eficaz. Função identificadora que se articula com a economia do processo linguistico, como mecanismo referencial. Sendo diversas as razões que levam ao nascimento destes nomes fictícios. (ver Francisco Ramos Antropologia das alcunhas Alentejanas.)
A Alcunha e um instrumento das aldeias. No Alentejo os grandes centros populacionais, não deixam de ser comunidades rurais, tendo em linha de conta, hábitos, costumes, modos de vida, tradições, fluxos migratórios internos etc.
segundo F. Ramos “O discurso totalizante das alcunhas de uma comunidade é um texto que se lê, um livro aberto que reflecte elementos da ordem do económico, moral, estético, psicológico, sentimental, lúdico e ideológico. A inocuidade das alcunhas e apenas aparente..”

Vou deixar uma lista de Alcunhas de S. Pedro do Corval, lhes garanto que “…dava pano para mangas…”

Açurdinha; Anica;Azar ; Bacano; Baila bem; Balota; Barbinhas de lebre; Barranquenho (oriundo de barrancos); Barrigana (taberneiro de grande barriga«gordo»); Barrasco; Batata; Bera; Bem feito(a); Bicho-ó-rato; Bobó; Botas altas; Borras; Bulhosa; Cacete; Canhão, Cara branca; Caturra; Casaca; Cegonho; Chabrega; Charraco; Chibinha; Chico bruto; Cuco; Cussá; Direitinho, Doutor criozil; Engenheiro P.; Espanhol; Espingarda; Faneca; Francês; Franganita; Franjinha; Fuinha; Feio; Farrapa; Gaba-a- filha;Gaiolas, Gaitas; Galinha; Galo; Gamada; Garrinha; Gasuza; Gatinha; Gorda; Guertas; Lele: Lagarto; Laruja(o); Macaco(a); Má cara; Macarrão; Malveira; Manageira; Martelinho de pau; Mata gatos, Melro; Menino Jesus; Menistra; Passarreco; Pataveco; Pão com Chicha; Pelado; Perrito(a) Picanço; Pirulau; Pingalhete, Porca rabita; Popelina; Preto; Pechilrro, Rafau; Ranhoso; Rambo; Rijo; Rissa; Sacaio; Tacho, TV(por usar com regularidade camisas de TV)

Obrigado ao Luduvicus Rex,  pelo apoio.

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M doente

Aforismos de Hipocrates (460? – 377 ?aC) “ O ferro (a cirurgia) cura aquelas enfermidades que as medicinas não remedeiam; as que o ferro não cura são curadas pelo fogo, e as que o fogo não trata, contem-se então entre as totalmente incuráveis”

in “Historia da medicina”

Azinheira
“ Nas terras do Alentejo
É tudo tão asseado…
As casas e o coração,
Sempre tudo anda lavado…”
                                 Poesia popular

BOM EMPREGO

Levei bem noite e dia a cogitar
Deitado, em minha cama, com lazeira,
A forma lucrativa de bispar
Emprego bem rendoso, de primeira…

E coisa alguma vinha a despontar
Na minha tão inculta mioleira,
Que farto tanto, tanto, de pensar,
Envio que praga aos ceus da »Primpineira»…

E como por encanto o «Separado»
Eu vejo-o, num momento, ressurgir,
Dizendo, sorridente, em tom pensado:

« _’Stas louco, meu mortal, de reflectir,
O melhor emprego, hoje é Deputado,
Que ganha bons «cem milhos» a…dormir!…
                                                                        Alma Académica, nº3 de 9-2-1913.